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Não há cartaz ou panfleto que sirva de cartão de visita ao concelho que não lhe enalteça, de forma muitas vezes descarada, as potencialidades naturais. E a ladainha é sempre a mesma : as Serras, os Rios, a Paisagem, os Vales Verdejantes… estas e outras loas que se destinam a captar a atenção do visitante incauto que tantas vezes sai defraudado de tanta e tamanha magnificência propagandística.
Vamos aos Rios, um por um :
1. O PAIVA:
Tantas vezes considerado na literatura municipal um dos rios menos poluídos da Europa, puro e cristalino, com pêgos de águas serenas e rápidos tumultuosos que têm atraído ao concelho os amantes dos desportos radicais, tem, actualmente, índices elevados de poluição. Na Geografia Sentimental já Aquilino Ribeiro se lhe referia nestes termos : « Cristalino e mimoso das mais saborosas trutas que há no mundo, lá vai seguindo a sua derrota, à semelhança de tudo o que existe debaixo da roda do sol, ora manso, não te rales, ora iroso e cachoando em açudes e leixões.»
As constantes descargas das ETARs de Vila Nova do Paiva e Castro Daire, irresponsáveis e criminosas são a prova acabada do desleixo a que o poder central e local votaram esta filigrana que só a natureza é capaz de fabricar.
Como se tal não bastasse a avidez de alguns empresários oportunistas, mixordeiros das águas e dos ventos travestidos de modernos ecologistas, apresentaram na CCDR-Norte um projecto de construção de uma mini-hídrica, a instalar junto à praia fluvial do Areinho, em Alvarenga, prevendo o desvio do caudal, através de uma conduta subterrânea numa extensão de vários quilómetros, até à praia fluvial do Vau, em Canelas, onde seria instalada a turbina,. Sem se importarem, obviamente, com a morte do rio nesse troço entre a mini-hídrica e a turbina e com as consequências ambientais desastrosas para jusante da turbina até à sua foz, uma vez que o caudal do rio seria drasticamente alterado com períodos de enchente correspondentes às descargas e períodos em que o leito ficaria literalmente seco, correspondentes ao fecho das comportas para enchimento da albufeira.
Felizmente algumas associações locais, conjuntamente com a população alvoraçada e o poder municipal a reboque conseguiram impedir mais este desastre ambiental.
O que se não tem impedido é a florestação indiscriminada e desenfreada das suas margens e encostas com espécies infestantes importadas, sobretudo o eucalipto, em vez da flora ribeirinha como o freixo, o salgueiro e o amieiro.
Com este panorama de nada valem as Sinfonias à Àgua recentemente dedilhadas junto à praia fluvial de Meitriz, E, a propósito de praias fluviais (Meitriz, Paradinha, Areinho, Cabranca…)os equipamentos construídos, caras mas até bem enquadrados, encontram-se ao abandono, sem manutenção eficaz a que se junta uma deficiente recolha de lixos.
Por fim a pesca indiscriminada, sem qualquer fiscalização, e tantas vezes utilizando meios ilegais, aliada à poluição, tem dizimado a fauna ribeirinha, em especial a boga e a truta fario. Leia o resto deste artigo »